ALGUNS ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO CAPITALISTA ACTUAL por Antxon Mendizabal e Sagra Lopez. Publicado em ALDARRIKA: Observando de perto o inimigo. Dossier FMI, BM, GATT. Seminário Erándio 1, 2, 3, Julho de 1994. Pp 3-17
O Fundo Monetário Internacional é o organismo encarregado de promover a cooperaçom monetária e a troca comercial entre os países membros, financiando os défices das balanças de pagamentos destes e mantendo estáveis os tipos de troco para facilitar o crescimento do comércio internacional. Tem 151 membros, de jeito que cada país tem um número de votos no Conselho de Administraçom correspondente à sua quota de participaçom. As decisons devem ser respaldadas com um mínimo de 85% dos votos (Estados Unidos, com umha quota de participaçom de 20%, dispom de um direito de veto sobre as decisons). Na verdade, os cinco Estados que achegam maiores quotas de contrubuiçom (Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Japom e França) dirigem a política do Fundo).
O Banco Mundial é formado por um conjunto de organismos como a Agência Internacional para o Desenvolvimento (AID) que concede empréstimos baratos a países pobres; a Corporaçom Financeira Internacional (CFI) que impulsiona a introduçom do sector privado nos países em vias de desenvolvimento e a Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (AMGI) que assegura aos grandes investidores privados contra os riscos nom comerciais. O Banco Mundial principiou a sua andaina ajudando à reconstruçom dos países europeus desbastados pola Segunda Grande Guerra e dedica-se fundamentalmente hoje ao financiamento internacional dos grandes projectos de infraestruturas hidráulicas, de transporte, de equipamentos energéticos, de desenvolvimento agropequário, etc. em funçom dos interesses do Norte (10). A sua estrutura organizativa reproduz com grande similitude o reparto de poderes (os 24 países integrantes da OCDE controlam as 2/3 partes dos votos e a hegemonia dos EEUU, existentes no FMI.
O GATT (acordo geral sobre tarifas alfandegárias e comércio) representa um grande projecto de liberalizaçom global e multilateral do comércio mundial que trata de facilitar a introduçom das grandes empresas transnacionais do Norte no conjunto dos mercados locais e dos diversos sectores económicos de actividade existentes no Planeta. A Ronda de Uruguai representa o oitavo ciclo de negociaçons organizado desde a sua assinatura em 1.947 e inclui 111 países nas suas conversas, que suponhem actualmente mais de 90% do comércio mundial. Como nos anteriores ciclos, está ao serviço dos intereses do Norte, que se concretiza hoje na imposiçom dos interesses comerciais dos três pólos industriais mundiais, no esforço de conter o declínio comercial dos EEUU, no afundamento da marginalizaçom dos povos do Terceiro Mundo e através do progressivo desmantelamento dos direitos de propriedade intelectual, na imposiçom mundial da língua e cultura norte-americanas.
O grupo dos 7 (EEUU, Canadá, Japom, Alemanha, França, Gram Bretanha, Itália) conforma por sua vez um directório que decide sobre as grandes questons estratégicas, económicas, sociais e políticas, que regulam a estabilidade actual do Planeta.
Na regulaçom jurídico-política do Planeta, a Organizaçom das Naçons Unidas (ONU) representa umha espécie de germem de governo mundial com capacidade para intervir política e militarmente, através do Conselho de Segurança, ao serviço dos interesses das grandes potências e a OTAN (Organizaçom do Tratado do Atlántico Norte), estrutura militar nascida para defender os interesses hegemónicos do Imperialismo USA, é enfim, o germem desse poder coercitivo internacional que umha estrutura de dominaçom implantada no nível mundial necessita para reproduzir-se e viver.
Os três eixos citados conformam umha realidade interdependente que se distribui a hegemonia económica e político-militar mundial. A hegemonia económica reflecte-se nos acordos entre os Konzerns alemáns e os Zaiatsus japoneses, que estavelecem estreitas avenças de cooperaçom em ámbitos como a comercializaçom, a investigaçom tecnológica e o acesso aos novos sectores de actividade. Nom obstante, os últimos acontecimentos internacionais e a guerra contra o Iraque tenhem revelado que os Estados Unidos continuam a manter a hegemonia político-militar.
Esses enormes volumes de facturaçom e essas enormes produtividades explicam que hoje 500 empresas transnacionais podam produzir 25% do PIB mundial com apenas 1,25% dos/as trabalhadores do Planeta (25 milhons de trabalhadores/as). Este gigantismo reflecte-se também quando observamos que só dous países, EEUU e Japom, tenhem um PIB que ultrapassa as vendas conjuntas das 20 primeiras transnacionais. Dito por outras palavras, se misturássemos num mesmo ranking a produçom dos países do mundo e das empresas multinacinais, a General Motors classificaria-se no número 15, antes da Suíça e da Bélgica; a Exxon no número 20; Ford no 21 antes da Austria e a Noruega, Roiay Dutch no 26, etc (12).
Hoje, as empresas multinacionais açambarcam mais da metade da produçom mundial, controlam as reservas energéticas e as fontes de matérias primas, tenhem o quase monopólio da tecnologia e da investigaçom e concentram a sua produçom em sectores estratégicos. Dos enormes investimentos destas multinacinais depende muitas vezes a produçom e emprego de muitos países, de tal jeito que a maior parte dos países e regions do Planeta centram a sua política económica num desenvolvimento exogéneo orientado para a obtençom dos investimentos destas multinacionais. Por sua vez, as empresas transnacionais imponhem as condiçons económicas, sociais, políticas, culturais e ecológicas necessárias para a sua implantaçom, de maneira que intervenhem decisivamente no design do modelo de desenvolvimento desses países.